Diferenças na aplicação da Acessibilidade na Apple, comparado com Windows e Android

    Como já falámos em artigos anteriores, a Apple é uma das empresas de tecnologia globais que mais se importa com a acessibilidade de pessoas com deficiência, dando-lhes autonomia ao usarem os seus produtos. Neste artigo veremos como a marca americana se compara com as duas maiores concorrentes nos computadores e dispositivos móveis, ou seja, Windows e Android, Microsoft e Google
    A Apple tem a acessibilidade como um dos seus valores de empresa, tendo inclusivamente pessoas dedicadas ao tema, com diferentes deficiências, como é o caso da engenheira Jordyn Castor, que liderou diversos projetos de acessibilidade para diferentes produtos dentro da empresa. Esta visão torna possível o desenvolvimento constante de novas funcionalidades e melhorias, que são disponibilizadas para a grande maioria dos aparelhos de forma gratuita, através de atualizações de software. Estas funcionalidades e melhorias, apenas não são disponibilizadas, se o aparelho já for muito antigo, e que por conta disso o hardware não iria suportar, e proporcionar uma boa experiência de utilização, ou então, quando são criadas funcionalidades especificas, que tiram partido de recursos de hardware específicos de um modelo, como é o caso do sensor LIDAR dos iPhones Pro e Pro Max, sendo que estes recursos são uma minoria no iPhone, e no iPad. No Mac, não existe esta distinção. 
    Como a Apple desenvolve tudo "in house", incluindo as ferramentas de acessibilidade, não necessita de parceiros que o desenvolvam por ela, podendo assim delinear o que pretende em cada atualização, e em cada ferramenta, sejam elas ferramentas novas, ou melhorias nas já existentes. Permite-lhe ainda disponibilizar estas funcionalidades de forma gratuita aos seus utilizadores, evitando assim que tenham de dispender mais dinheiro em outros produtos, (que geralmente são bastante dispendiosos), assim como acontece no sistema Windows da Microsoft. 
   No caso do Android, da Google, a situação é também bastante complexa, uma vez que há uma fragmentação no sistema, e nas funcionalidades de acessibilidade que cada aparelho recebe. Cada fabricante pode personalizar as funcionalidades de acessibilidade que os seus aparelhos vão ter, ou não, e inclusivamente, se tiver desenvolvido alguma adiciona-la de forma livre. Contudo, como desiste uma grande variedade de aparelhos e de fabricantes, nem todos os aparelhos recebem todas as ferramentas, principalmente quando falamos dos mais acessíveis, o que cria uma grande confusão para o utilizador. Esta fragmentação ocorre, porque o Android é um sistema Open-Source, ou seja, a Google permite que cada fabricante altere o sistema como bem entender. Ou seja, totalmente ao contrário do que a Apple faz e tem como cultura. 
    A Microsoft, por sua vez, com o Windows desde sempre permitiu aos parceiros desenvolver os recursos de acessibilidade para o sistema. Apenas há alguns anos é que começou a desenvolver alguma coisa internamente, mas apenas com o intuito de dar o mínimo integrado, para não afetar parceiros da indústria da acessibilidade, que dependem da falta de recursos de acessibilidade do Windows para sobreviver. Ou seja, a Microsoft tenta equilibrar o que dá de forma integrada, com o que os parceiros têm a oferecer, por forma a que toda a gente fique satisfeita.
    Para concluir, enquanto a Apple desenvolve tudo "in House", e não necessita de ninguém, nem permite alterações aos seus sistemas (até porque é a única a utilizar-los), sendo que disponibiliza os recursos de acessibilidade de forma gratuita para todos os seus clientes, sendo que nunca prometeu liberdade, mas sim um controlo e autoridade, que lhe permite fazer tudo da forma dela, sem ser considerado um monopólio legalmente, pois praticamente não existe indústria de acessibilidade para Apple, e o que existe é complementar, não essencial. 
    A Google e a Microsoft não o conseguem fazer por razões diferentes. A Google, até pode querer entregar os seus recursos de acessibilidade ao maior número de utilizadores possível, mas tem de lidar com a fragmentação do sistema. A Microsoft tem de lidar com a promessa de liberdade do sistema, e não pode introduzir tudo nativo, para não afetar parceiros, e não ser considerado um monopólio, devido a essa promessa de liberdade. 

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